Corre por entre as veias
um delírio de conhecê-lo intimamente,
como os trilhos que correm por entre os banhados;
os campos que os rios
inundam displicentemente.
Em suas águas que correm de um córrego a outro
correm vidas maravilhosas,
coloridas e extintas que o irmão do caçador
corre para ver, e por lentes observa deslumbrado;
conclusões dolorosas o definem como
o único bicho ameaçado.
Na cheia correm aves cortando o céu;
desenham formas inocentes
pelo simples prazer de viver.
Ao seu lado corre um ar quente;
um sofrer antecipado dos campos
por onde correrá um fogo sem razão de existência,
dele correrão vidas que agora buscam
a própria sobrevivência.
Ficará um negrume deprimente;
por magia brotará das cinzas
uma nova semente quando águas novamente correrem por lá.
Vendo a paisagem correr pela janela do trem,
percebo que os homens,
correndo para lugar nenhum,
descobrirão, um dia,
que a vida não corre,
passeia...
*Extraído do Livro 'Verde Magia', 1991
Ilustração de Ronald Rosa
passeia...
*Extraído do Livro 'Verde Magia', 1991
Ilustração de Ronald Rosa
era um bloquinho de papel jornal, tamanho de bloco de notas... E vc nunca perdeu esse pedaço de papel. Sempre me incomodei com o resultado da piranha...Mas isso é só um detalhe. O importante é esse calor no peito...=)
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