terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pantanal

Corre por entre as veias
um delírio de conhecê-lo intimamente,
como os trilhos que correm por entre os banhados;
os campos que os rios
inundam displicentemente.
Em suas águas que correm de um córrego a outro
correm vidas maravilhosas,
coloridas e extintas que o irmão do caçador
corre para ver, e por lentes observa deslumbrado;
conclusões dolorosas o definem como
o único bicho ameaçado.
Na cheia correm aves cortando o céu;
desenham formas inocentes
pelo simples prazer de viver.
Ao seu lado corre um ar quente;
um sofrer antecipado dos campos
por onde correrá um fogo sem razão de existência,
dele correrão vidas que agora buscam
a própria sobrevivência.
Ficará um negrume deprimente;
por magia brotará das cinzas
uma nova semente quando águas novamente correrem por lá.
Vendo a paisagem correr pela janela do trem,
percebo que os homens,
correndo para lugar nenhum,
descobrirão, um dia,
que a vida não corre,
passeia...
*Extraído do Livro 'Verde Magia', 1991


Ilustração de Ronald Rosa



VERDE MAGIA

Sejam as cores, os contornos e rabiscos
que compõem este mundo,
a minha inspiração.
Cresça o desenhista de tanta beleza,
e sua imortal obra, a natureza,
dentro de minh’alma
que ajoelha em gratidão.
Floresça nos campos
as cores de infinitos seres
como um consolo aos olhos
que se perdem em solidão.
Deseje que a sensibilidade
brote neste dia,
e as promessas esquecidas tornem-se
reais numa eterna vida,
numa imortal e singela imensidão.

*extraído do livro "Verde Magia", 1991.