Ao contrario da história que adormece em algum canto da
nossa infantil memória, não segui um rastro de migalhas de pão. Para conhecer
João e Maria é preciso seguir apenas o escutar do coração.
A casa de Maria e João não é feita de paredes de doces e
telhado de biscoitos. São feitas das madeiras de seu quintal, e pintadas com
flores azuis e borboletas rosas e amarelas pelas mãos de Maria. Sob o olhar
doce de João.
Não existem bruxas famintas querendo fazer bom proveito de
João e Maria.
Pois na vida de Maria e João a bondade é reinante, e não há
espaço para algo mal e humano. Pois as almas puras de João e Maria são
protegidas pela força superior da floresta. Sua mãe amazônica.
João e Maria caminharam passos curtos numa estrada larga até
chegarem onde estão. Nasceram nordeste, cresceram sulistas, descansam norte.
Maria e João foram várias vezes de onde estão. Mas por alguma razão que só
talvez a sutileza das sombras da mãe amazônica possa entender, João e Maria
sempre voltaram. Sem seguir migalhas de pão. Pois para buscar seu destino não é
preciso rastros, bastar seguir sua alma. Com calma. Como fizeram Maria e João.

